Walter
Eu, Enrico e Walter
Este post foi escrito em 9 de junho de 2002, em um antigo blog que eu tinha.
Hoje meu blog faz 1 mês de vida. E de acordo com o bagulho de estatísticas, eu tive quase 1000 visitas únicas (980 agora) ou um pouquinho mais de 1000 contando os reloads… Bom, eu não esperava nem 10% disso, de verdade, então muito obrigado a todos os que eu conheço e a todos os que não conheço que me visitam aqui!!! Eu imagino que esse blog não seja muito interessante já que eu sou um blogueiro “ausente”… Mas vou tentar escrever mais aqui… Assunto eu tenho, mas falta tempo… Tentarei me dedicar mais, prometo.
Na verdade, eu estava imaginando que o dia de hoje seria muito triste. Que eu iria passar o dia querendo evitar as pessoas, sei lá. Porque hoje seria o aniversário do meu melhor amigo. Seria, porque há quase um ano ele morreu em um acidente de carro. Por sinal, já perceberam como a gente tem medo de usar a palavra “morreu” quando a pessoa é importante pra gente? Parece que é falta de respeito, então a gente acaba usando a palavra “faleceu”. Eu acho bobeira evitar as palavras, dessa maneira. Eu tenho plena consciência do meu respeito pelo meu amigo, e não vou evitar palavras pra falar dele.
Enfim, ele, o Walter, morreu no dia 24 de junho, no ano passado. Foi, com certeza, a maior perda da minha vida. É um dos poucos amigos que eu posso dizer que AMO sem ter medo de me sentir meio viado ;). A gente era super parecido, gostávamos das mesmas coisas. Eu entendia as “estranhezas” dele e ele as minhas, sabíamos como o outro estava se sentindo antes mesmo de conversar.
Eu conversava com ele todos os dias, mas não nos encontrávamos sempre por causa de nossas rotinas. Essa é uma fase complicada da vida, a gente trabalha e estuda e acaba sobrando pouco tempo para encontrar os amigos. Ele sofreu o acidente num domingo, dia 24, e por coincidência (será?) eu passei o dia todo com ele no sábado. Saímos pra comprar umas peças de micro, depois almoçamos no Shopping Paulista, jogamos um pouco de fliperama à tarde, fomos pra minha casa… Enfim, sem nenhum motivo específico, resolvemos ter um dia inteiro pra lembrar como era nossa vida quando éramos adolescentes, e vivíamos juntos… Esse dia seria um dia comum, mas acabou se tornando um dos dias mais especiais da minha vida depois que eu soube que ele tinha morrido. Principalmente porque se eu não tivesse passado esse dia com ele, eu talvez sofreria muito sabendo que eu estava afastado dele e nunca mais teria a chance de vê-lo, ou passar um dia assim com ele.
Depois que ele se foi, eu pensei em me afastar das pessoas. Não queria mais ter amigos, amar as pessoas, porque eu poderia perdê-las e sofrer de novo. Eu me afastei da minha família, dos amigos. Queria viver sozinho, porque achava que assim eu não iria mais sofrer a perda de alguém. E, Meu Deus, como eu estava ERRADO. Eu não percebia que me afastando das pessoas eu estava simplesmente adiantando o sofrimento de perda que eu queria evitar, e além disso estava também fazendo sofrer as pessoas que gostavam de mim e não sabiam o motivo que me fez ficar agressivo, mal humorado, não querê-las por perto. Na verdade, até hoje eu ainda sofro um pouco deste mal, ainda tenho medo de me aproximar demais das pessoas por medo de perder, mas superei bastante esse problema. Eu sinto muita falta do Walter hoje, porém sei que o que aconteceu é algo inevitável, e que por mais que ele tenha ido, todas as memórias dos momentos ao lado dele continuam vivas. Eu teria me arrependido muito se tivesse me afastado, se eu não fosse um amigo presente na vida dele.
Bom, pessoal, eu sei que foi um texto um tanto longo. Mas eu precisava escrever isso. Não só por ele, mas por mim, também. Essa semana foi uma semana confusa pra mim, na medida que o aniversário dele se aproximava. Eu me sentia triste e ao mesmo tempo sabia que não deveria me sentir triste, que ele não gostaria de me ver triste. Eu imaginava que hoje seria um dia pesado, que eu estaria deprimido, mas não. Eu estou feliz, porque sei que todos os momentos ao lado dele foram importantes, e de que eu nunca deixei de ser um amigo presente quando soube que ele precisava de mim, e ele também nunca falhou quando eu precisei dele. Eu poderia escrever muito mais sobre ele aqui, sobre os inúmeros momentos comuns que se tornaram inesquecíveis depois que ele morreu. Mas acho que consegui o que queria: transformar em palavras todo esse emaranhado de sentimentos que eu tenho dentro de mim desde que ele morreu, e que se tornaram muito mais fortes nessa semana. Eu me sinto feliz agora, porque me sinto como se estivesse mostrando pra ele que estou bem, que nunca esqueci dele mas que isso não me impede de ser feliz. E tenho certeza de que ele está feliz com isso, de que ele está lá em cima torcendo pela minha felicidade. Ou quem sabe esteja até aqui do meu lado, sorrindo pra mim.
Walter, eu te AMO, cara. Um dia a gente se encontra.
carpe diem,
.thechip.
É incrível como todo ano, exatamente no dia 9 de junho, eu já acordo lembrando do Walter. E olha, que saudade que eu tenho desse cara. Hoje o Walter estaria fazendo 28 anos… Será que ele teria amadurecido? Tomado juízo? Sei lá, eu não consigo imaginar o Walter mais velho. Talvez isso tenha um motivo…
Talvez tudo isso tenha um motivo. Eu me lembro quando o Walter morreu, eu estava saltando de paraglider e birgada com o Enrico. Tanto para você como para o Enrico, o Walter sempre foi uma pessoa especial. Eu me lembro após o salto de ligar para o Enrico, porque apesar de estar brigada com ele, eu queria compartilhar aquele momento especial de ter dado meu primeiro salto, e ele estava chorando muito. Perguntei, o que foi? e Ele falou o nome do Walter. Na hora eu gelei dos pés a cabeça porque não tinha nada a ver com o assunto. Quando o Enrico me contou tudo subi a serra correndo e fui pra casa dele, que por uma infeliz coincidencia do destino era do lado do cemitério que o Walter seria velado. Os momentos antecedentes ao velório, fiquei prestando a atenção nas reações do Enrico, que eram as mais estranhas que eu já tinha visto. Ele não sabia se chorava, se ficava dentro de casa, fora de casa. Eu nunca vi ele daquele jeito. O Enrico é por natureza uma pessoa introspectiva que não costuma demonstrar o que sente. Aquele dia, ele mostrou que estava sofrendo muito, e eu fiquei realmente de coração apertado. Desde então, ele evitava falar no Walter, mas de uns tempos pra cá, sinto que a tristeza deu lugar a saudade e ele fala raramente no Walter com saudades. Eu acho que a turma do lolov que começou primeiramente com a amizade de você três (Chip, Enrico e Walter) amadureceu muito com este acontecimento e também, nunca mais foi a mesma. Eu acho também que este distanciamento dos integrantes era inevitável com o tempo. Mas eu digo, eu tenho saudade daquela época.
Apesar de todo o sofrimento que a ‘ morte ‘ traz eu a entendo como mais como uma etapa da vida e encerra aqui no plano fisico e se inicia no planbo espiritual, que na verdade a morte e o renascimento do espirito em si …E confuso quando ela acontece com alguem que a gente ama, por dias, meses ate anos acabamos por nao entender o significado da ‘ morte ‘ pq a dor fala mais alto assim foi comigo… na semana que ele partiu, ele me deu um cd e quando me entregou me proibiu de abrir o cd a menos que eu estivesse muito mas muito triste, e assim eu fiz, nao abri o cd apesar da curiosidade ser muito grande. Eu mutias vezes me perguntei se ele sentia que estava pra morrer … Abri o cd no dia que ele partiu e pra minha ‘nao’ supresa tinha tanta tranqueira tipica do Walter que era uma mistura de tristeza por ter perdido meu amigo e felicidade por saber que ele era um grande homem e jamais deixaria o lado ‘ adulto ‘ mudar sua personalidade que eu amava mais que tudo… Tinha de tudo no cd , fotos dele ( inclusive com voce ) , musicas, midis , e ate fotos porno ( q me matei de rir ) e hoje levo o cd comigo pra onde eu vou… E sempre que a tristeza bate e ali que me refugio… Naquele cd que me faz ver que realmente a morte nada mais que q uma passagem pq ele , Walter, esta presente todos os dias da minha vida como se nunca tivesse partido…
AMO MUITO !
Beijos